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App brasileiro avalia rótulos de alimentos

Criado pelo casal Gustavo e Carolina Grehs, o app Desrotulando traduz as informações das embalagens e emite notas e destaques positivos e negativos de uma porção de alimentos no mercado.

Eles são divididos em 16 categorias, entre bebidas, carnes e congelados. Se o alimento não estiver listado, o usuário fotografa o rótulo e envia para avaliação.

“Hoje temos 20 mil itens e uma lista de 266 mil para entrar”, diz Carolina, que é nutricionista.

No bate-papo a seguir, ela conta mais a respeito do aplicativo:

SAÚDE: Como são definidas as notas dos alimentos?

Carolina Grehs: Nosso fundamento é o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que recomenda aumentar o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, reduzir os processados e evitar os ultraprocessados.

Numa gelatina ou refresco em pó de maracujá, por exemplo já não há quase nenhum resquício da fruta. Então a nota desse tipo de produto acaba sendo mais baixa.

Também sinalizamos quando há excesso de açúcar, sódio, gordura não especificada e aditivos controversos. E criarmos perfis premium do app, pagos, mais personalizados, com foco em perda de peso, alimentação infantil ou para quem tem problemas como hipertensão e diabetes.

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O sucesso do aplicativo mostra que os rótulos geram muitas dúvidas. Por que isso acontece?

Os termos são muito técnicos. Como interpretar, digamos, o que são os açúcares e seus sinônimos listados? Nem todo mundo sabe o que é sacarose, maltodextrina… Falta transparência.

A Anvisa estuda melhorar a rotulagem no país, incluindo até um semáforo nutricional. Qual seria o melhor modelo?

Do ponto de vista do consumidor, a versão com advertências na frente do produto, indicando “Alto em açúcar”, “Alto em gordura”, é a mais eficiente.

Esse selo, semelhante ao que é usado no Chile, é simples, direto e facilita a compreensão.

Leia mais: Pesquisa mostra eficácia de alerta em rótulos de alimentos.

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Dieta balanceada reduziria risco de morte por câncer de mama

Comer de maneira saudável pode diminuir a probabilidade de morte por câncer de mama em até 21%. É o que indica um estudo robusto que será apresentado na edição deste ano do congresso da Asco, a Associação Americana de Oncologia Clínica, um dos eventos mais importantes do mundo sobre a doença.

O trabalho começou em 1993 e envolveu 48 835 mulheres que já tinham passado pela menopausa, com idades entre 50 e 79 anos. Elas foram divididas em dois grupos. Um seguiu uma dieta normal, com uma ingestão de gordura que representava 32% ou mais das calorias diárias, e o outro reduziu esse índice para 25% ou menos e incluiu no mínimo uma porção de legumes, verduras, frutas e grãos no cardápio diário.

As participantes que passaram pela intervenção alimentar adotaram o plano por cerca de oito anos. Depois disso, todas continuaram sendo acompanhadas – até agora, são 19,6 anos de seguimento. Pouco mais de três mil casos de câncer de mama foram diagnosticados no período. E o risco de morrer por conta dele foi 21% menor no time que comeu melhor.

Trabalho sólido

O número de participantes e o tempo de acompanhamento corroboram a relevância do achado, que reforça a influência da alimentação no combate ao câncer. “Esse estudo acrescenta mais uma evidência na lista de efeitos positivos semelhantes para vários tipos de câncer”, declarou a presidente da Asco, Monica M. Bertagnolli, em comunicado à imprensa.

Batizada de Women’s Health Initiative (Iniciativa pela Saúde da Mulher, em tradução livre), a investigação foi custeada pelo governo norte-americano e continua em andamento, com o objetivo de descobrir como prevenir males que afetam mulheres na pós-menopausa. Além do câncer de mama, entram na lista tumores colorretais, doenças cardiovasculares e osteoporose. Ou seja, mais novidades devem surgir daí nos próximos anos.

Pós-menopausa e câncer de mama

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o risco para desenvolver tumores nas mamas aumenta nessa fase graças a alguns fatores: parar de menstruar após os 55 anos; fazer reposição hormonal, especialmente por mais de cinco anos; e apresentar obesidade ou sobrepeso. Entre o grupo que comeu melhor na pesquisa norte-americana, houve uma queda de 3% no peso corporal.

Apesar de esse emagrecimento não ter impactado tanto na mortalidade, é fato que o excesso de peso está ligado ao câncer (e não só ao de mama). Para ter ideia, caso a incidência de obesidade siga crescendo, estima-se que o quadro poderá causar 500 mil casos extras de tumores ao ano pelas próximas duas décadas só nos Estados Unidos.

Um segundo estudo chegou até a mostrar que a alimentação pode ser ainda mais decisiva para mulheres com câncer de mama pós-menopausa que apresentam componentes da síndrome metabólica – entre eles estão circunferência abdominal elevada, hipertensão, diabetes e colesterol alto. Todos são ligados ao aumento de peso. Para evitar a situação, um dos caminhos é comer melhor.

O bacana é que a dieta considerada equilibrada não é coisa de outro mundo. Bastaria reduzir o consumo de gorduras no dia a dia – e, ao colocá-las na rotina, o ideal é privilegiar as versões insaturadas, encontradas nos peixes, nas oleaginosas e em certos óleos vegetais, como o azeite de oliva. Fora isso, é preciso incluir mais vegetais na dieta.

Comer ao menos cinco porções de frutas, legumes e verduras ao dia, aliás, já é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde para diminuir o risco de uma série de doenças, incluindo certos tipos de câncer.

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Dieta ajudaria no combate à depressão

Embora o conhecimento sobre o impacto da alimentação na saúde mental seja relativamente recente, há fortes motivos para encarar o prato como passaporte para uma vida mais feliz. A nova prova vem de uma revisão de 16 estudos recém-publicada, que envolveu, no total, quase 46 mil pessoas.

No trabalho, observou-se que qualquer tipo de melhora na alimentação — como reduzir gorduras, cortar calorias ou simplesmente investir em comida mais nutritiva — aliviou os sintomas depressivos entre os participantes.

“Segundo o estudo, os participantes continuavam com o transtorno, mas o quadro se mostrava menos grave”, explica o educador físico Felipe Schuch, da Universidade Federal de Santa Maria (RS), um dos autores.

A hipótese é que um menu equilibrado resultaria em menos inflamação no organismo — algo intimamente ligado à doença. Segundo Schuch, mexer no cardápio também ajudaria a proteger as pessoas com depressão contra problemas aos quais estão mais sujeitos, como diabetes e doenças cardiovasculares.

A melhor dieta contra a depressão

Muitos estudos indicam que a mediterrânea é a escolha ideal. Veja o que ela oferta:

Peixes
Salmão, sardinha e atum são exemplos de peixes com ômega-3, gordura de ação anti-inflamatória.

Azeite
É fonte de gorduras monoinsaturadas, positivas para a cabeça. Sem falar nas substâncias antioxidantes.

Oleaginosas
Castanhas, nozes e companhia concentram selênio, zinco e gorduras boas, um time pró-cérebro.

Verduras e frutas
Além de vitaminas e minerais, carregam fibras, que equilibram a microbiota. A cuca sai ganhando.

E os suplementos?

Há quem pense que o jeito mais simples de angariar nutrientes contra a depressão seja por meio de cápsulas. Mas uma análise publicada há pouco no jornal científico Jama sugere que a estratégia não é eficaz. Nela, 512 pessoas com sobrepeso tomaram suplementos de ômega-3, ácido fólico, vitamina D, cálcio e selênio por um ano. Após esse tempo, a pílula não impediu a instalação da depressão.

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Cientistas criam cerveja especial para quem tem diabetes

Um acidente científico. É assim que o biomédico Carlos Ricardo Maneck Malfatti, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava (PR), se refere à descoberta da associação entre a ingestão de alecrim-do-campo e a queda na glicemia.

É que, inicialmente, ele e sua equipe achavam que a planta tinha potencial na perda de peso. “Notamos em pesquisas com animais, porém, que ela poderia ajudar no combate ao diabetes“, relata.

Ao que tudo indica, esse tipo de alecrim protege o pâncreas, órgão que produz a insulina, e melhora a resposta das células ao hormônio — com isso, o açúcar não sobra no sangue. Os cientistas decidiram, então, usar o extrato do vegetal em uma receita de cerveja, batizada de Rosemary. Ela já está sendo testada em pacientes e, segundo Malfatti, os resultados são bem animadores.

Como há empresários interessados na inovação, há grandes chances de a bebida sair do laboratório e chegar ao mercado em breve.

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Por trás da própolis

Sabia que a própolis verde é produzida pelas abelhas a partir do alecrim-do-campo? “E esse é um meio bacana de aproveitar seus benefícios”, diz Malfatti. A resina é conhecida por ser antioxidante e antimicrobiana.

Nas pesquisas do biomédico, ele concebeu um método para extrair do alecrim só os compostos de seu interesse — como os destinados à cerveja. Então não dá para comparar seus efeitos com os da própolis.

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Menos açúcar pelo bem do fígado dos jovens

O ganho de peso tem gerado vários problemas que, antes, eram típicos de adultos, como a esteatose hepática não alcoólica — a gordura no fígado. Pois cientistas americanos recrutaram 40 meninos de 11 a 16 anos com o quadro para observar, em metade deles, qual o impacto de retirar do cardápio diário 3% de açúcar, incluindo aí o de bebidas e alimentos industrializados.

“Em excesso, o açúcar vai para o fígado, onde se transforma em gordura”, justifica a médica Gilda Porta, da Sociedade Brasileira de Pediatria. Em oito semanas, cortar o doce fez a gordura no órgão diminuir mais de 6%.

Gilda alerta que, se a alimentação não for ajustada, uma cirrose pode surgir no futuro. Melhor rever o menu da casa, né?

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Como flagrar um fígado gordinho

A esteatose hepática não alcoólica nem sempre deixa rastros. Um jeito de desconfiar da situação é quando a criança tem uma dieta desequilibrada — cheia de refri, fast-food e guloseimas. Estar acima do peso é outro indicativo.

Segundo Gilda Porta, o diabetes tipo 1 também favorece o quadro. É preciso acompanhar.

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Dieta com horários irregulares aumentaria o risco de morte em infartados

Ter hábitos alimentares irregulares ao longo do dia pode elevar o risco de morte em quem já sofreu um infarto agudo do miocárdio. É o que sugere um estudo publicado no European Journal of Preventive Cardiology, o primeiro a associar o horário das refeições ao prognóstico do ataque cardíaco.

O levantamento incluiu 113 pessoas com idade média de 70 anos, todos tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu, no interior de São Paulo. O padrão da dieta foi analisado com questionários, aplicados durante a admissão no setor de terapia intensiva da instituição.

Quem comia de maneira irregular no dia a dia teve uma probabilidade até cinco vezes maior de manifestar outro infarto ou dor no peito durante a internação e em 30 dias depois da alta – período de acompanhamento do trabalho. Dentre os que faleceram, 58% não tomavam café da manhã, 51% jantavam tarde e cerca de 40% costumavam combinar os dois hábitos pelo menos três vezes na semana.

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Maus hábitos e risco cardíaco

São necessários mais estudos para entender e confirmar os achados. Até porque essa investigação é apenas observacional, ou seja, compara um fator de risco e um desfecho, sem apontar causas para a relação.

Já se sabe, contudo, que a alimentação tem um papel importante na saúde cardiovascular, e que uma dieta repleta de gordura saturada, sódio, açúcar e itens ultraprocessados está vinculada a males como diabetes e hipertensão, que levam ao infarto.

Além do conteúdo do cardápio, que já é um consenso, o horário em que se come também parece importar para a saúde – e as evidências sobre o tema estão ganhando força. O ato de pular o café da manhã, por exemplo, está associado a um aumento no risco de desenvolver diabetes tipo 2.

Jantar perto da hora de dormir, por sua vez, não raro piora a qualidade do sono e atrapalha o metabolismo, o que influencia no aparecimento de doenças crônicas que ameaçam o peito. Há também um aspecto comportamental, pois os dois costumes avaliados no estudo estão ligados a hábitos que podem bagunçar o bem-estar físico, como acordar tarde e beliscar guloseimas para matar a fome durante o dia.

“Trata-se de uma questão que influencia no pior prognóstico para esses pacientes”, concluiu Guilherme Neif Vieira Musse, médico e autor do trabalho, em comunicado à imprensa.

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Veganismo é pop: conheça a tendência, seus benefícios e os cuidados

Dona de uma carreira meteórica, a cantora Anitta anunciou, no início deste ano, que vinha se desafiando a mudar alguns hábitos. Sua principal meta era cortar do cardápio qualquer alimento com origem ou matéria-prima animal. A artista estava virando vegana. Veganismo é um estilo de vida em ascensão que vai muito além de não comer carne — envolve se abster de qualquer coisa que tenha um ingrediente animal, o que inclui produtos de beleza e limpeza.

Calcula-se que, junto a Anitta, entre 4 e 7 milhões de brasileiros sejam adeptos ou estejam em vias de engrossar o grupo. “O veganismo vem crescendo devido ao maior acesso à informação e a um desejo que todo mundo tem, o de se relacionar com os animais e o planeta de forma mais justa”, avalia Ricardo Laurino, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira.

Apesar de não se restringirem às refeições, as mudanças à mesa são as que chamam mais atenção — especialmente dos profissionais de saúde. Afinal, qual seria o impacto para o corpo ao eliminar de bife a gelatina? A julgar pelas pesquisas até o momento, os efeitos soam bastante positivos.

Um estudo da Universidade de Florença, na Itália, descobriu que, entre os veganos, o risco de ter câncer é 15% menor em comparação com quem consome carne e derivados. Já uma revisão publicada no periódico British Medical Journal concluiu que a dieta vegana facilita a perda de peso e, em diabéticos, ajuda a baixar os níveis de glicose, triglicérides e colesterol.

“Isso acontece porque boa parte da gordura saturada vem de alimentos de origem animal”, avalia a nutricionista Lara Natacci, da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição. E esse é o tipo de gordura cujo excesso está associado a encrencas que vão de câncer a infarto. “Em um padrão de dieta focado em produtos vegetais, aumentamos a ingestão das gorduras mono e poli-insaturadas, bem-vindas à saúde”, completa Lara.

Fora isso, começam a se multiplicar indícios de que priorizar itens do reino vegetal eleva a população de bactérias da flora intestinal mais associadas ao equilíbrio do organismo.

Mas cabe uma ponderação: ainda que ninguém (ou quase ninguém) vá virar vegano só pensando no próprio bem-estar, aderir a essa filosofia não é garantia de quilos a menos nem proteção total contra doenças. Até porque tem pegadinhas na hora de ajustar a alimentação.

Uma das principais, segundo Lara, é o indivíduo substituir os produtos de origem animal por muitas fontes de carboidrato, como pães e macarrão — um cenário nada auspicioso para o peso e a saúde em geral.

Para não ser vítima de trocas sabotadoras, contar com orientação nutricional deve ser o primeiro passo da mudança.

Armadilhas no mercado

Com a popularização do veganismo, tem marca por aí cobrando mais caro só por estampar “vegano” nas embalagens de produtos que naturalmente não teriam nada de origem animal. Há, por outro lado, itens que não deixam claro se contêm substâncias evitadas por veganos.

Para fugir disso, a dica da nutricionista Lara Natacci é entrar em contato com o serviço de atendimento ao consumidor (SAC) da empresa e também conversar com um profissional.

Já a nutricionista Karla Escoda, da Essencial Clínica Integrada, em Goiânia, ressalta a importância de priorizar alimentos naturais. “A base da nossa dieta deve ser formada por comida de verdade, e não por produtos industrializados. A regra é: descasque mais e desembale menos”, orienta.

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Radical demais?

Há quem diga que excluir tantos alimentos (carnes, ovos, leite, queijos…) sempre vai resultar em deficiências nutricionais. No entanto, a própria Associação Dietética Americana, uma das instituições mais respeitadas da área, se posiciona como favorável ao estilo de vida animal free.

De acordo com Karla Escoda, tanto veganos quanto onívoros estão sujeitos a desfalques do gênero. “A carência de vitaminas, minerais e compostos bioativos é observada em toda a população. Ou seja, não é uma exclusividade de vegetarianos e veganos”, declara. Mas será que o corpo não vai sentir falta de nada?

Tem um ingrediente no qual veganos terão mesmo de prestar atenção: a proteína. “É que a de origem animal, como a da carne vermelha, oferece todos os aminoácidos necessários. Já os itens do reino vegetal precisam ser combinados para cumprir esse papel”, explica Lara. Por isso ela recomenda associar leguminosas (soja, feijão, lentilha, grão-de-bico…) a cereais (arroz, quinoa, trigo…) no prato.

Se der para incluir oleaginosas, caso de nozes, amêndoas e castanhas, melhor ainda. E, claro, as verduras e os legumes têm lugar cativo. A dica é escolher variedades de pelo menos três cores para ter acesso a diferentes compostos.

Se a dieta não for bem pensada — e isso também se aplica a onívoros e carnívoros de plantão —, o corpo pena. “A deficiência de ferro, cálcio, zinco e vitamina B12 gera perda de massa muscular, afeta o sistema nervoso e provoca anemia“, avisa Lara.

“Qualquer coisa diferente do habitual deve ser avaliada: sono irregular, alterações intestinais, cansaço extremo, queda de cabelo e dificuldades de concentração e memória”, aconselha Karla.

Existem situações em que, após a análise do especialista, cápsulas podem ser necessárias. Inclusive, tem um suplemento que costuma ser obrigatório para todos que tiram carne e companhia da rotina: a vitamina B12, que não é fornecida por vegetais.

Criança vegana?

De acordo com a médica Rafaela Ricco, do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, pais veganos até podem criar os filhos nesse estilo de vida, desde que eles façam acompanhamento com pediatra e nutricionista e usem suplementos indicados em consultório.

Se os adultos passam por perrengues quando falta algo no cardápio, que dirá uma criança… “A alimentação equilibrada é primordial para que elas atinjam seu melhor potencial de desenvolvimento”, afirma Rafaela.

Se o pimpolho vegano não crescer como o esperado em estatura e peso, apresentar queda no rendimento escolar e enfrentar problemas cognitivos, pode ser sinal de algum nutriente em falta. Aí tem que investigar.

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O planeta agradece

Agora, se você tem dúvidas se o estilo de vida vegano beneficia o meio ambiente, saiba que cientistas das universidades Tulane e de Michigan, nos Estados Unidos, também se fizeram essa pergunta. E a resposta deles é chocante: quando uma pessoa dá preferência a carnes e laticínios, contribui para uma produção cinco vezes maior de gases do efeito estufa do que quem prioriza vegetais.

Isso tem a ver com o processo de obtenção dos alimentos: no Brasil, a agropecuária responde por 71% das emissões desses gases na atmosfera. Além disso, observa Laurino, a criação de animais demanda um uso elevadíssimo de água.

“No dia a dia, nada beneficia mais o planeta do que tirar produtos de origem animal do prato”, defende o presidente da SVB. Vegano ou não, vale a reflexão.

Não é só comida

Seguir o veganismo envolve mudar hábitos que não se restringem ao prato e à cozinha

Cuidados pessoais: maquiagem, cremes e pasta de dente costumam levar ingredientes de origem animal em sua fórmula ou são testados em bichos. Mas têm surgido marcas exclusivamente veganas ou com opções para esse público em seu catálogo.

Entretenimento: veganos passam longe de zoológicos, circos com bichos, aquários e rodeios, porque os animais estão fora de seu habitat. “Eles ficam presos em jaulas e tanques e, normalmente, vivem depressivos ou estressados“, justifica Ricardo Laurino.

Vestuário: você não vai encontrar jaquetas de couro, blusas de lã e casacos de pele no armário de veganos. Ainda bem que as grandes marcas oferecem versões sintéticas há um tempo. Já existem até empresas que se posicionam oficialmente como veganas.

Da limpeza ao transporte: amaciantes, sacos plásticos e pneus de bicicleta e carro podem ter substâncias de origem animal. Mas há alternativas para a maior parte desses itens. “Tornar-se vegano não significa substituir tudo de uma vez. O aprendizado é diário”, acredita Laurino.

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Espinafre: qual o melhor jeito de comer?

Antioxidante de primeira, a luteína é aliada contra encrencas que vão de catarata a doenças do coração. Não à toa, cientistas da Universidade Linköping, na Suécia, avaliaram como manter o mais alto teor dela nos alimentos — e o espinafre foi o escolhido. Após submetê-lo a vários métodos, ficou nítido que, quanto maior o tempo de aquecimento, mais luteína se perde.

A intensidade da temperatura também importa: a fritura degradou o composto em apenas dois minutos. O melhor seria não esquentar. Na verdade, a indicação é consumi-lo, quem diria, numa vitamina — a gordura do leite ou iogurte favorece a absorção da substância.

Para a nutricionista Carina Müller, professora do Namu Cursos, não precisa levar o resultado a ferro e fogo. “Tudo bem cozinhar o espinafre no vapor ou salteá-lo rapidamente”, ensina. “Até porque o vegetal cru tem oxalato, que prejudica o aproveitamento de nutrientes”, ensina.

Truque de expert

De acordo com Carina, uma saída para proteger os nutrientes do espinafre e desativar o tal do oxalato é apostar no branqueamento.

A técnica consiste em ferver água, jogar o vegetal nela por 30 segundos e, aí, mandá-lo imediatamente para um banho de água com gelo. “Algo sempre é perdido. Mas em menor proporção do que ao cozinhar sem interrupção”, diz.

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A maneira mais vantajosa de consumir outros vegetais

Cru

Alho: cortar ou amassar libera alicina, sua substância mais protetora.

Cebola: tem nutrientes sensíveis ao calor. Coloque em saladas e molhos.

Beterraba: a raiz crua esbanja betalaína, defensora do corpo. Use em sucos e lanches.

Cozido

Tomate: o calor facilita a absorção de licopeno, composto anticâncer.

Abóbora: para absorver o antioxidante betacaroteno, leve-a ao fogo.

Aspargo: ele é bem fibroso. Então a cocção é interessante para a digestão.

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Testes de DNA para emagrecer?

Cada célula do nosso corpo carrega um DNA, aquela sequência de genes que define características como cor do cabelo, altura… e a tendência a encarar certos problemas. O ganho de peso é um deles. Pois o conhecimento sobre o tema avançou tanto nas últimas décadas que nasceram testes genéticos prometendo interpretar esse verdadeiro manual interno para, assim, traçar um plano realmente efetivo de emagrecimento.

Com esses novos exames, seria possível descobrir, por exemplo, se um indivíduo tem maior facilidade para estocar gordura ou se apresenta baixa sensibilidade ao carboidrato — daí, cortar o nutriente, como manda a famosa dieta low carb, não impactaria tanto na balança. Para alcançar as respostas, os testes buscam alterações na estrutura dos genes, também conhecidas como polimorfismos, que interferem em como eles se comportam.

É tudo tão coerente e moderno que dá vontade de realizar um pente-fino no DNA amanhã mesmo, certo? Muita calma! A questão é que ninguém sabe exatamente que genes importam pra valer nessa história.

“Há evidências de que mais de 400 estão relacionados à obesidade, influenciando desde o comportamento alimentar até o aproveitamento dos nutrientes. Só que, hoje, os exames disponíveis avaliam cerca de 40 deles”, contextualiza a nutricionista Ana Poletto, doutora em fisiologia humana pelo Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.

A metodologia até consegue ver os polimorfismos mais estudados. Mas falta consenso sobre o que seria o tal “perfil genético” do ganho de peso. Um experimento recente da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, dividiu mais de 600 pessoas entre adeptas de dietas com pouca gordura ou com baixo índice de carboidratos. Depois, os cientistas analisaram três marcadores genéticos capazes de estimar a chance de sucesso de cada voluntário em emagrecer ao reduzir um dos nutrientes.

No fim, ficou claro que os genes não interferiam, desde que o indivíduo seguisse as orientações básicas. “Ou a genética importa, mas estamos olhando para os marcadores errados, ou ela simplesmente não faz diferença”, interpreta o nutricionista Christopher Gardner, autor do trabalho, considerado um dos mais confiáveis sobre o assunto até agora.

O passo a passo dos testes genéticos

  1. Coleta: pode ser realizada com amostra de sangue ou com saliva recolhida pelo próprio paciente.
  2. Preparo: ficar 30 minutos sem comer se a amostra vier da saliva. Se for do sangue, não há necessidade.
  3. Controle: a amostra é avaliada para garantir que o DNA é suficiente para o sequenciamento.
  4. Análise: já ocorre no Brasil, com métodos que isolam o DNA e usam estatística para estudá-lo.
  5. Preço: está na casa dos milhares de reais. Os testes de dieta ainda não são cobertos pelos convênios.

À espera da ciência

Os mistérios do DNA e a falta de evidências robustas sobre os testes genéticos focados em nutrição e emagrecimento fazem com que a maioria dos especialistas ouvidos por SAÚDE tenham o pé atrás em relação à novidade. “Eles não devem ser totalmente desacreditados, pois há pesquisas sérias sendo feitas nesse campo. Mas não chegamos ao ponto de dizer se uma pessoa é propensa a engordar com base no genoma”, avalia a bióloga Natália Pasternak, presidente do Instituto Questão de Ciência.

Hoje, até é possível calcular o risco genético de doenças, como alguns tipos de câncer, mas o ganho de peso é uma condição complexa e que depende de muitos fatores para acontecer, incluindo os hábitos alimentares desenvolvidos durante a vida inteira.

“Essa crítica é importante e verdadeira. No entanto, não podemos fechar os olhos para mais uma ferramenta que pode ajudar na prevenção e no tratamento da obesidade”, diz o nutrólogo Eduardo Rauen, que, em certos casos, aconselha os testes a seus pacientes na capital paulista.

Aos poucos, os segredos do DNA relacionados à questão do peso vão sendo decifrados. Em 2018, uma pesquisa da Universidade de Toronto, no Canadá, constatou que indivíduos com alterações no gene FTO, envolvido na regulação da fome e da saciedade, emagreceriam mais facilmente com uma dieta proteica. O trabalho envolveu 1 400 pessoas e chegou a mostrar o impacto das diferenças étnicas nos desfechos: caucasianos e pessoas do sul da Ásia não tiveram o mesmo efeito que os descendentes do leste asiático.

Perceba que está aí, aliás, mais uma limitação da aplicação dos testes no Brasil: quase todos os estudos vêm de fora. “As investigações analisam outras populações, cujos polimorfismos podem ser diferentes”, explica a bióloga Michele Pereira, do Laboratório Hermes Pardini, em São Paulo, que oferece um exame para mapear 80 alterações genômicas ligadas à nutrição.

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A despeito do objetivo, a pesquisadora acredita que o método deve ser visto como um complemento. “Ele enfrenta resistência, mas queremos que auxilie o profissional de saúde como preditivo de algumas doenças e situações”, diz.

Outro aspecto que merece reflexão é comportamental. Como o teste genético pode ser encomendado sem o pedido do especialista, há o risco de interpretações equivocadas. “Alguns trabalhos mostram que, ao saber que possui a variante que facilita o ganho de peso, muitas pessoas ficam estagnadas porque creem que nada mudará seu destino”, conta a endocrinologista Maria Edna de Melo, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica.

Mas há quem não enxergue isso como um empecilho. “Foi um alívio descobrir minha tendência a engordar, porque sempre tive dificuldade de emagrecer, mesmo com dietas e remédios”, relata a técnica em tecnologia da informação Gabriela Todeschini, de 30 anos, gaúcha que fez um exame do gênero e gostou dos passos seguintes. “Com as orientações personalizadas da minha nutricionista, finalmente estou conseguindo perder peso.”

Divergências à parte, uma coisa é certa: praticamente todo mundo tem propensão a engordar. “Existe uma vulnerabilidade biológica que predispõe ao ganho de peso, porque, há milênios, foi necessário armazenar calorias para sobreviver e evoluir”, justifica Maria Edna.

Isso ajuda a explicar por que atualmente vivemos uma epidemia de obesidade. “Porém, a influência do estilo de vida é bem maior nesse contexto. Tanto que o ganho de peso disparou nos últimos 50 anos, mas nosso DNA não se alterou. O que mudou foi o consumo de alimentos ultraprocessados”, defende a nutricionista Carolina Sartori, de Brasília.

Não é impossível que parte do enigma por trás do ganho e da perda de peso seja, um dia, respondida pelo genoma. Mas, por enquanto, a maneira mais eficaz de evitar o efeito sanfona é ouvir os experts e seguir uma rotina ativa e uma dieta mais equilibrada. Nem os genes brigam com isso.

Outros dois tipos de exame genéticos para a alimentação

Intolerâncias e alergias: o mais famoso da categoria é o Food Detective, que promete avaliar a sensibilidade a até 200 alimentos. Com o resultado em mãos, seria possível identificar quais itens o corpo não tolera muito bem e, assim, seguir uma dieta em que não haja desconfortos como inchaço e constipação.

Na prática, não é mágico assim. “Tenho visto muitas dietas restritivas prescritas com base nele. Só que esse tipo de rastreamento é um engodo. Ele mede a produção de imunoglobulina G, ou IgG, que não tem nada a ver com alergias ou intolerâncias alimentares”, critica a médica Renata Cocco, coordenadora do Departamento de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

O IgG é um anticorpo produzido naturalmente quando o organismo entra em contato com um corpo estranho, como um ingrediente de uma comida.

Teste do microbioma: a relevância da microbiota, o conjunto de bactérias que vivem em diversas partes do corpo, é inegável. E a comunidade de bichinhos mais estudada, a que habita o intestino, parece influenciar no surgimento de várias doenças, inclusive a obesidade.

O sequenciamento do microbioma ajudaria a entender quais os micro-organismos predominantes e, assim, traçar estratégias personalizadas para prevenir problemas ou intervir em quadros já instalados. “Ele se vale dos mesmos princípios do exame feito em células humanas, mas avalia o DNA de bactérias colhidas nas fezes”, descreve o nutrólogo Dan Waitzberg, diretor científico da Bioma4me, startup que oferece a análise.

A abordagem é promissora devido ao crescimento de pesquisas na área. O que se busca agora é entender quais as intervenções mais satisfatórias para modular, de fato, a tal da flora intestinal.

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