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Caixa de leite com quadrados coloridos significa que ele foi reprocessado?

Em um vídeo que está na internet e é compartilhado nas redes sociais, um homem aparece abrindo uma caixa cheia de leite com a finalidade de ensinar uma “dica” aos consumidores. Ele mostra que a parte de baixo de metade das embalagens apresenta alguns quadradinhos coloridos. De acordo com o sujeito, os símbolos só aparecem em leites que passaram por um reprocessamento.

Ou seja, ele dá a entender que esses produtos já entraram anteriormente no mercado, mas voltaram à indústria para serem tratados quimicamente e, daí, foram devolvidos às prateleiras.

Em primeiro lugar, o homem não aparece em nenhum momento – só vemos suas mãos – nem cita fonte para embasar esse alerta. Motivos suficientes para ficarmos com a pulga atrás da orelha, certo?

De qualquer maneira, fomos atrás da Tetra Pak, que fabrica as embalagens que aparecem no vídeo. E para que fique claro: a Tetra Pak não produz leite.

Segundo Fernanda Miguel, responsável pelo departamento de Tecnologia Asséptica da empresa, o reprocessamento do leite – e de qualquer outro produto – é simplesmente proibido pela legislação.

Os quadradinhos coloridos apenas representam um teste de cor feito para controle da qualidade de impressão da embalagem. “Não tem nenhuma relação com o produto que vai ali dentro”, afirma Fernanda.

Mas então por que algumas embalagens têm os símbolos e outras, não? “Da forma com que a embalagem é feita nos equipamentos, há a produção de mais de um tipo na mesma bobina”, esclarece a especialista da Tetra Pak. Dito de outra forma, o teste de qualidade da impressão não precisa ser realizado em todas as caixinhas fabricadas. E isso, que fique claro, não tem absolutamente nada a ver com o leite em si.

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Fake news das antigas

Vale lembrar que essa história de leite reprocessado não é de hoje. Há cerca de dez anos, uma mensagem espalhada também pela internet dizia que um número impresso no fundo da embalagem indicava quantas vezes o produto havia passado por reprocessamento após a data de validade.

Em algumas caixinhas, era possível encontrar os números 5, 6… “Se isso fosse possível, o leite já teria virado um doce de leite!”, brinca Fernanda.

De novo, o número não tem qualquer relação com o alimento. Ele indica, na verdade, o posicionamento das bobinas na linha de produção da caixinha.

Até porque convenhamos: se alguém quisesse fraudar um alimento, não ficaria colocando dicas de ilegalidades na embalagem. Então ao ficar de olho?

No que prestar atenção

Na hora da compra, Fernanda diz que é essencial verificar a data de validade do leite e o aspecto da caixa. “Ela não deve estar amassada nem vazando. Precisa estar íntegra e com o lacre da tampa fechado”, ensina. Outra questão que merece ser observada: em quanto tempo o produto deve ser consumido após aberto.

No mais, caso tenha dúvidas sobre informações contidas nas embalagens e mensagens disseminadas nas redes sociais, não deixe de entrar em contato com as empresas fabricantes dos produtos ou das embalagens.

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O melhor pedaço do chocolate é o último – e isso afeta o emagrecimento!

Na época da faculdade, tinha um amigo que todo dia comia uma barra de chocolate ao leite. Eu, ele e outros colegas chegávamos juntos na lanchonete e o Fernando degustava seu “elixir”. Um certo dia, ele, muito educadamente, me ofereceu o último pedaço. Não tive dúvida: agradeci e aproveitei a gentileza sem cerimônia (eu também adoro chocolate!).

Naquele instante, percebi no olhar do Fernando um quê de reprovação. Meio sem jeito, ele disse: “O último pedaço é o melhor”. Antes de seguirmos adiante, responda rapidinho a enquete abaixo – você verá que ela tem tudo a ver com o tema e nossas tentativas de emagrecer.

Bom, o “sabor especial” do último pedaço tem justificativa. Mas, para explicar isso, vou começar pelas primeiras mordidas.

O prazer em consumir alimentos é iniciado pela experiência gustativa e pelas lembranças daquele sabor. No cérebro, tudo fica armazenado dentro do sistema límbico, que chamamos popularmente do controle de qualidade (saiba mais no livro O Fim das Dietas).

Ao escolhermos o alimento e darmos as primeiras garfadas, seu sabor nos traz o prazer do paladar e das memórias ligadas ao sabor. Ao longo desse consumo, nossas papilas vão transformando a comida em inúmeras combinações de sabores doces, salgados, amargos e ácidos, com um verdadeiro degradê entre cada um.

Por pura curiosidade, nós conseguimos sentir aproximadamente 10 mil sabores!


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Ao continuarmos a ingestão, teremos o segundo mecanismo de prazer, que é ver o final do alimento. Pois é: a gente tende a gostar de esvaziar o prato ou, no mínimo, a ficar mais atento com a mordida final. É a última oportunidade de aproveitar uma delícia qualquer – e aí está a pegadinha!

Toda a vez que colocamos muito alimento no prato, teremos esses dois mecanismos atuando em conjunto: o prazer da ingestão e o de ver o final da comida.

Como então podemos lidar com essa armadilha? O primeiro passo é não chegar para as refeições com muita fome.

Quando famintos, nós pegamos mais alimentos do que precisamos e damos preferência para os mais aromáticos, saborosos e possivelmente mais calóricos. A fome compromete nossa racionalidade e afeta a tomada de decisões.

A segunda estratégia é, sabendo disso, realmente ficar de olho na quantidade. Vou dar um exemplo.

Tenho outro amigo que, quando vai ao restaurante japonês, adora encher a mão com aquelas balinhas que ficam perto da saída. Aí não tem jeito: todas elas vão da mão para a boca.

Como evitar isso sem radicalismo? Pegue UMA balinha e saia do restaurante. Ao chegar no carro – ou mesmo em casa para os mais pacientes –, consuma a gostosura. O prazer duplo de ingerir aquele docinho continuará acontecendo.

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Agora, se você pediu um prato que já vem pronto, divida a quantidade que irá consumir e retire o restante da sua frente.

Minha vó dizia que não podemos deixar comida no prato, porque várias crianças passam fome no mundo. Acontece que, se comermos sem necessidade, essas crianças vão continuar famintas – ao passo que nós engordaremos. São dois problemas em vez de um.

Para evitar o desperdício, embrulhe o que não aproveitar e doe para alguém. Minha avó ficaria bem feliz com essa atitude.

Para emagrecer, precisamos de um mapa sobre nós mesmos. Assim fica mais fácil definir o caminho que escolheremos para o nosso destino. A propósito, nunca ofereça o último pedaço do seu chocolate. Desculpa Fê!

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Pitayas rosa e branca: qual a mais nutritiva?

Originária da América Central e do México, a pitaya desembarcou há pouco no Brasil. Tanto que um monte de gente ainda não conhece a fruta — seja a de polpa branca ou a rosa. Mas, neste verão, ela tem tudo para ganhar popularidade. “É que fornece boa quantidade de água e eletrólitos, que perdemos no suor”, explica a nutricionista Renata Guirau, do Oba Hortifruti, em São Paulo.

Fora isso, as duas versões têm poucas calorias e baixo teor de açúcar — embora a de polpa colorida seja levemente mais adocicada. O rosa vibrante dessa pitaya vem do licopeno, pigmento fortemente ligado à prevenção de câncer e doenças cardíacas.

“Já a de polpa branca contém flavonoides com função antioxidante e anti-inflamatória”, conta a nutricionista. Logo, ambas merecem um cantinho na fruteira.

A pedida é consumi-las in natura ou em forma de sucos, vitaminas, sorvetes e geleias. Para aumentar a durabilidade, a polpa pode ser congelada e usada depois. Isso se sobrar, né?

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Agora confira uma comparação de substâncias, calorias e nutrientes entre as duas versões de pitaya:

Energia

 

Branca: 82 cal
Rosa: 104 cal

Fibras

Rosa: 6 g
Branca: 5,4 g

Carboidratos

Branca: 18 g
Rosa: 26 g

Vitamina c

Branca: 54 mg
Rosa: 40 mg

Fósforo

Rosa: 45 mg
Branca: 38 mg

Proteínas

Rosa: 2,2 g
Branca: 0,2 g

(Os valores se referem a 200 gramas da polpa, o que corresponde a cerca de uma fruta)

Placar saúde

Pitaya branca 3 x 3 Pitaya rosa

Fonte: Renata Guirau, nutricionista do oba hortifruti (SP)

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Alimentos orgânicos contra o câncer: vale a pena investir?

No fim de 2018, uma pesquisa feita com mais de 68 mil pessoas causou um verdadeiro rebuliço ao associar a preferência por alimentos orgânicos a uma menor probabilidade de encarar alguns tipos de câncer. Para a investigação desse elo, os voluntários responderam periodicamente a um questionário, no qual forneceram informações sobre o consumo de 16 itens.

Após sete anos, contabilizou-se a incidência da doença na turma. Foi daí que saiu o dado que chacoalhou a comunidade científica: quem priorizava os orgânicos estava mais protegido contra os tumores — o risco de enfrentá-los era 25% menor, segundo cálculo dos autores. Para os linfomas, o número impressionou mais, já que o perigo despencou 73%.

Publicado no periódico Jama Internal Medicine, o resultado merece algumas ponderações. Primeiro, trata-se de um estudo de associação, ou seja, apenas compara dois dados em vez de mostrar uma relação clara de causa e efeito. Outra crítica vem do fato de o levantamento não ter dosado os resíduos dos agrotóxicos presentes no organismo dos participantes — o que poderia trazer à tona uma ligação mais direta ou não.

Apesar de justos, esses argumentos não tiram todo o mérito do trabalho. Para focar exclusivamente nos orgânicos e evitar confusões, os cientistas excluíram outros fatores classicamente ligados à doença.

“E, mesmo quando controlamos histórico familiar, tabagismo, qualidade da dieta como um todo e nível socioeconômico, não houve alteração significativa nos desfechos”, relata a nutricionista e coordenadora do estudo Julia Baudry, da Universidade de Paris, na França.

Mas também não vá esperando milagres. “O câncer é uma doença multifatorial. Portanto, não adianta optar pelo orgânico e tomar refrigerante todos os dias, ser sedentário, fumar, e por aí vai”, faz questão de ressaltar Thaís Manfrinato Miola, coordenadora de Nutrição Clínica do A.C.Camargo Cancer Center, em São Paulo.

Orgânicos: mais limpos ou nutritivos?

Julia reconhece que mais investigações são necessárias para entender e comprovar o vínculo identificado em sua pesquisa. Mas já há diversas hipóteses sendo ventiladas.

Uma delas diz que os alimentos orgânicos esbanjariam mais nutrientes do que os convencionais, produzidos com agrotóxicos — isto é, produtos químicos usados no campo como fertilizantes ou para afastar pragas e outras plantas que não as cultivadas.

“Mas os estudos sobre isso são controversos. Por isso, ainda não existe consenso sobre o tema”, analisa a nutricionista Juliana Geraix, doutora pela Faculdade de Medicina de Botucatu, no interior paulista, e especialista na relação entre alimentação e câncer. “Fatores como o solo onde o produto cresce, quais pesticidas são usados e como os produtos são aplicados influenciam nesse aspecto. Então é simplório demais eleger uma categoria como mais nutritiva”, raciocina.

Mas há uma teoria favorável aos orgânicos que goza de mais respaldo entre os experts. Ela defende que, ao privilegiar essa versão do alimento — que também respeita princípios de sustentabilidade —, o indivíduo diminui sua exposição aos tais agrotóxicos. “E alguns desses compostos já foram relacionados com o câncer, porque levam a alterações no DNA e no funcionamento das células capazes de propiciar o aparecimento de tumores”, explica Thaís.

Pois é: se ainda não dá para afirmar que orgânicos previnem câncer, o caminho inverso, que bota os pesticidas no banco dos réus, já está mais consolidado. Diversos agrotóxicos são elencados pela Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc, na sigla em inglês) como provavelmente carcinogênicos em humanos.

Três deles surgem na classificação 2A, a segunda mais robusta em evidências: glifosato, malathion e diazinon, todos em uso atualmente no Brasil.

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“Mas o registro do produto só é aprovado se a segurança ao consumidor está garantida e a fração de resíduos que podem permanecer nos alimentos é bastante pequena”, pondera Andreia Ferraz, gerente de Ciência Regulatória da Associação Nacional de Defesa Vegetal, entidade a favor da utilização de agroquímicos.

Só que os especialistas em saúde não concordam muito com essa afirmação, em especial no caso do glifosato, um dos mais populares por aqui. “Não existe limite seguro para a exposição a agentes com potencial para causar câncer. Pelo princípio da precaução, ele deveria ser proibido”, afirma Marcia Scarpa, toxicologista do Instituto Nacional de Câncer (Inca). “Sem dúvida os agricultores correm maior risco, porque manipulam diretamente os produtos. Mas existem evidências científicas claras da presença de resíduos dessas substâncias nos alimentos comercializados”, completa a especialista.

“O glifosato bloqueia uma via metabólica que inibe o crescimento da planta. Só que essa via não existe em animais, o que contribui para sua baixa toxicidade nos humanos. Se usado de acordo com a bula, ele é seguro para o consumidor”, contrapõe o toxicologista Flavio Zambrone, pesquisador do Grupo de Informação e Pesquisa sobre Glifosato (Gipeg).

O enrosco: esse emprego correto não corresponderia à realidade. “Há uma banalização do uso do agrotóxico e erros de aplicação. Para piorar, a fiscalização é insuficiente, o que é esperado, porque estamos num país gigante”, comenta Mariella Uzeda, agrônoma e pesquisadora da Embrapa.

Para embolar a situação, não dá para confirmar quanto agrotóxico consumimos. A única medida oficial de resíduos em alimentos vem do Programa Nacional de Análise de Resíduos de Agrotóxicos da Anvisa. Ocorre que ele não é atualizado desde 2016 e só considera itens in natura.

No caso da água, por exemplo, que também sofre contaminação, a situação é preocupante. Uma portaria de 2011 do Ministério da Saúde permite até 500 microgramas por litro (μg/L) de glifosato no líquido potável, enquanto na Europa o limite é de 0,1 μg/L — valor 5 mil vezes mais rígido. “E a legislação obriga a análise somente de algumas substâncias. Várias outras nem sequer são medidas”, destaca o médico Ever Moronte, do Observatório dos Agrotóxicos da Universidade Federal do Paraná.

E como ficam as compras?

Apesar de o estudo francês não ser conclusivo e gerar debates acalorados, vale, sim, apostar nos orgânicos quando possível. O Inca recomenda privilegiar a categoria como parte do estilo de vida que reduz o risco de câncer.

Só não é para ficar bitolado, afinal é difícil mesmo fugir dos agrotóxicos: eles estão presentes em quase tudo que comemos e bebemos. Para ter ideia, 99% da produção agrícola do país é convencional. Os orgânicos ainda são mais difíceis de achar e, muitas vezes, mais caros — embora dê para encontrar preços melhores fora dos supermercados.

E que fique claro: mesmo que frutas, verduras e legumes sejam cultivados de forma convencional, os especialistas incentivam sua presença na rotina. É que os benefícios da classe superam a possível ameaça de agrotóxicos.

“A última meta-análise [revisão robusta, que avalia estudos já feitos sobre um tema] estima que cerca de 20 mil casos de câncer ao ano poderiam ser evitados aumentando o consumo de vegetais, enquanto dez casos seriam provocados pela ingestão de pesticidas”, informa Juliana. A balança pesa positivamente para o que vem da terra, seja orgânico ou não.

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Com o moral lá em cima

Puxado pelo crescente interesse em um estilo de vida mais saudável, o setor de orgânicos vive um bom momento no país. Hoje, são 17 mil produtores certificados, e o mercado cresceu cerca de 10% ao ano na última década. Estima-se que, em 2018, o faturamento ficou em torno de 4 bilhões de reais.

Se você quer levá-los para casa, mas o preço é um impeditivo, vale procurar os Grupos de Consumo Responsável (GCR), criados por consumidores que compram direto com os agricultores. Segundo o Instituto Kairós, uma cesta de 17 vegetais nessas organizações tem valor médio de 69 reais, enquanto a mesma lista no supermercado sai por 144 reais.

O que define um orgânico

Carne e ovos: devem vir de animais que não recebem remédios (como antibióticos) e vivem livres em boa parte do tempo. A dieta deles precisa ser pelo menos 85% orgânica.

Leite e derivados: o raciocínio segue o mesmo do das carnes. Aditivos químicos são proibidos na produção e as vacas leiteiras recebem até sessões de relaxamento em algumas fazendas.

Industrializado: para um biscoito ou outro processado receber o selo de orgânico, pelo menos 95% dos ingredientes devem ser certificados dessa maneira.

Fontes: Airton Vialta, pesquisador científico do Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital); e Cobi Cruz, diretor de marketing da Organis – Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável

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É possível criar uma criança vegana sem riscos?

A busca por um melhor estilo de vida vem crescendo nos últimos anos e o interesse por práticas nutricionais mais saudáveis acompanham essa tendência. Nesse cenário, o veganismo ganhou espaço. Segundo o site da Sociedade Vegetariana Brasileira, “a filosofia do veganismo (não consumo de qualquer produto que gere exploração e/ou sofrimento animal) adota o vegetarianismo estrito no âmbito da alimentação. Por isso, costuma-se também chamar de “vegano” aquele que não consome nenhum alimento de origem animal (carnes, ovos, laticínios, etc)”.

Sendo o veganismo um conceito mais filosófico do que alimentar, não é incomum vermos famílias inteiras adotantes da prática. Aí, surge a dúvida: será que esse modelo de dieta é suficiente para o crescimento adequado de uma criança?

É preciso sempre ter em mente o conceito da importância dos primeiros 1 000 dias no desenvolvimento infantil – esse período equivale à vida intrauterina mais os dois primeiros anos de vida. Ele acende um alerta sobre o papel de uma boa nutrição nessa etapa. Além disso, chama a atenção para a magnitude dos riscos que carências nutricionais nessa fase trazem para a vida inteira.


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Para compreender se o veganismo garante a boa saúde das crianças, precisamos responder a duas outras perguntas: quais nutrientes estão presentes nos alimentos de origem animal e que faltariam nos vegetais? Outra: qual o impacto da carência desses nutrientes no crescimento? Muito bem. Vamos por partes.

Sofia Garcia Whiteman Barranha, médica pediatra e pesquisadora da Universidade do Porto, em Portugal, avaliou o impacto da alimentação vegetariana na criança. Sua dissertação mostrou alguns pontos interessantes.

Vejamos o caso do ferro, que é um micronutriente que exerce diversas funções metabólicas. A principal fonte alimentar desse mineral é a carne vermelha, que tem cerca de 3 miligramas do nutriente por 100 gramas de porção. O espinafre, por exemplo, tem a mesma quantidade, porém a absorção do ferro de origem vegetal (a chamada biodisponibilidade) é mais baixa.

Isso significa que devemos ingerir uma quantidade muito maior de espinafre – ou qualquer outro vegetal – do que de carne para que a mesma quantidade de ferro seja absorvida.

Outro nutriente que merece ser citado é a vitamina B12, encontrada quase que exclusivamente em fontes animais. Ela é crucial para o desenvolvimento neurológico na infância. Esse nutriente é produzido pelas bactérias que vivem no estômago dos ruminantes e transferida para a carne – que depois levamos ao prato. Vegetais praticamente não contêm vitamina B12.

Para a obtenção de proteínas, a soja é um alimento muito usado por quem segue a dieta vegetariana – e ela funciona bem nesse aspecto. Entretanto, os fitatos presentes no alimento dificultam a absorção de minerais como zinco, ferro e magnésio.

O zinco é um nutriente cuja fonte principal também é a carne, embora leguminosas e alguns cereais atuem como fonte dele. O magnésio, assim como o cálcio, é encontrado especialmente no leite e em seus derivados. Bebidas vegetais preparadas com amêndoas, por exemplo, não têm a mesma quantidade desses elementos.

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Já os ácidos graxos da série ômega-3, nutrientes de extrema importância para a formação do cérebro e o fortalecimento da imunidade, são provenientes de peixes e também de algas muito específicas, não disponíveis para consumo.

Todos esses nutrientes são cruciais para os primeiros anos de vida. Alguns deles, como zinco, cálcio e proteínas, até podem ser consumidos em quantidade adequada por meio de fontes vegetais. Entretanto, é muito difícil atingir o teor adequado de outros, a exemplo de ferro, ômega-3, vitamina B12 e vitamina D. E tais carências representam um risco potencial para o pleno desenvolvimento.

Portanto, crianças que são criadas com dieta vegetariana estrita necessitam de suplementação desses nutrientes. Além disso, é interessante efetuar dosagens sanguíneas dessas substâncias pelo menos semestralmente. Assim, dá para flagrar carências rapidamente e agir para que não tragam problemas.

*Renato Augusto Zorzo, pediatra, nutrólogo e membro do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo

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Porções exageradas em restaurantes podem contribuir para a obesidade

Precisamos dar mais atenção ao tamanho das porções de comida servidas em restaurantes. Um estudo realizado por uma equipe internacional, que contou com o apoio da Fapesp, atesta que porções exageradas são comuns em estabelecimentos do Brasil – e mundo afora.

A investigação, publicada no periódico científico British Medical Journal, mediu as calorias de 111 refeições populares escolhidas aleatoriamente de restaurantes à la carte ou fast-food das cidades de Ribeirão Perto (no interior de São Paulo, Brasil), Pequim (China), Kuopio (Finlândia), Acra (Gana) e Bangalore (Índia).

Os dados foram comparados com um estudo anterior da Universidade de Tufts, que fez algo similar em estabelecimentos de Boston, nos Estados Unidos.

O resultado mostrou que 94% das refeições à la carte e 72% dos pratos servidos em fast-foods continham mais de 600 calorias – o consumo energético máximo por refeição recomendado pelo sistema de saúde da Inglaterra (NHS).

“Uma parcela da população pode estar confundindo fome com vontade de comer. Esse estudo mostra que, para combater a obesidade, é preciso também olhar para esses excessos”, disse Vivian Suen, do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, e uma das autoras do levantamento.

Exceto na China – que apresentou pratos menos calóricos que nos outros países –, o consumo das porções servidas em restaurante fornecia entre 70% e 120% das necessidades calóricas diárias para uma mulher sedentária (2 mil calorias). Não é pouco.

“Não levamos em conta, nesse estudo, o modo de preparo e a composição nutricional dos pratos. O fato é que, pelos restaurantes pesquisados, há uma parcela da população que está comendo muito”, explicou Vivian. Ou seja, a refeição pode até conter vários alimentos saudáveis, mas, se contar com porções enormes, ainda assim vai engordar.

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Fast-food é melhor que à la carte?

Embora indique que, na média, as refeições de restaurantes fast-food possuem menos calorias (809) que as servidas à la carte (1 317 kcal), o estudo está longe de ser uma defesa dos preparos rápidos.

“Isso só mostra que, enquanto prestamos atenção em fast-food com campanhas para alimentação saudável, que são muito positivas, estamos deixando de lado fatores importantes, como o tamanho das porções”, ponderou Vivian.

Esta reportagem foi produzida pela Agência Fapesp

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Mindfulness ajuda (muito) no emagrecimento

Você costuma comer com o celular na mão? Ou vendo o noticiário na TV? Pois saiba que mudar comportamentos como esses e focar completamente na comida e nas sensações que ela provoca – algumas estratégias defendidas pelo método de mindfulness, quando aplicado à alimentação – pode fazer diferença na magnitude da perda de peso.

É o que indica um estudo feito pela Universidade de Warwick e outras instituições no Reino Unido. No trabalho, os pesquisadores avaliaram o emagrecimento de 53 pessoas que frequentavam um programa multidisciplinar de controle de peso. Desses voluntários, 33 completaram pelo menos três de quatro sessões de mindfulness.

O curso incluía discussões sobre as diferenças entre o comer consciente e a refeição descuidada. Além disso, os participantes passaram por uma introdução à chamada terapia da mente compassiva, que destaca, entre outras coisas, a importância da autoconfiança para chegar à mudança de comportamento.

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No fim de seis meses, a turma que participou com mais frequência dos treinamentos em mindfulness perdeu, em média, três quilos. Quem conseguiu participar de só uma ou duas sessões do curso enxugou cerca de 0,9 quilo.

Os cientistas ainda notaram que quem passou pelo treino completo eliminou aproximadamente 2,85 quilos mais do que aquelas 20 pessoas que faziam parte do programa de emagrecimento, mas ficaram de fora das sessões de mindfulness. Não é, nem de perto, pouca coisa.

“Os indivíduos que completaram o curso disseram que se sentiam mais aptos a planejar refeições e estavam mais confiantes no autogerenciamento da perda de peso”, comentou Petra Hanson, líder da pesquisa, em material divulgado pelo site da Universidade de Warwick.

“Essa pesquisa é significativa, porque mostramos que o comportamento alimentar problemático pode ser melhorado com a atenção plena”, acrescentou a especialista.

Dicas para comer com atenção plena

No ano passado, SAÚDE lançou o livro Mindful Eating – Comer com Atenção Plena, que mostra como a proposta do mindfulness pode se aplicar na nossa alimentação.

Veja alguns ensinamentos das autoras Cynthia Antonaccio e Manoela Figueiredo:


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1. Desconecte-se à mesa! Nada de ficar no celular nas refeições.

2. Prepare-se para comer: respire fundo e observe com olhar curioso os alimentos.

3. Sente-se à mesa de uma forma confortável.

4. Utilize os talheres a seu favor: descanse-os, troque para a mão não dominante e aprecie tudo com calma.

5. Delicie cada mordida: preste atenção no cheiro, na temperatura e na textura da comida.

6. Feche os olhos em algumas garfadas para estar mais presente.

7. Pense na origem e na cadeia produtiva que permite aos alimentos chegarem ao seu prato.

8. Observe o que sente: conforto, alegria, satisfação…

9. Desligue o julgamento sobre nutrientes e calorias.

10. Aprecie o entorno: onde e com quem está.

11. Tente dar uma nota para sua fome e para sua saciedade.

12. Finalize contemplando e agradecendo pela refeição.

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Compare: chia e linhaça

O tamanho diminuto e o fato de terem entrado recentemente no vocabulário dos brasileiros preocupados com saúde não são as únicas semelhanças entre chia e linhaça. “Ambas são fontes de fibras e gorduras boas”, relata a nutricionista Larissa Cohen, do Rio de Janeiro.

Mas é preciso ponderar: embora as duas concentrem, em uma colher de sobremesa, cerca de 3 gramas de gorduras totais, a linhaça tem maior concentração da versão poli-insaturada, com destaque para o ômega-3. Este é um nutriente de ação anti-inflamatória — por isso é associado à prevenção de doenças cardiovasculares.

Para tirar esse proveito, Larissa diz que o ideal é consumir a farinha das sementes. “Não temos enzimas para digerir a celulose da casca”, justifica. Dá para comprar o pó pronto ou triturar os alimentos em casa — depois deixe na geladeira para evitar a oxidação.

Se quiser aproveitar as fibras contra a prisão de ventre, aí tudo bem apostar nas sementes integrais mesmo.

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Energia

Chia – 44,3 cal

Linhaça – 45,3 cal

Proteínas

Chia – 1,6 g

Linhaça – 1,4 g

Fibras

Chia – 3,4 g

Linhaça- 3,3 g

Carboidratos

Linhaça – 4,3 g

Chia – 4,4 g

Gorduras monoinsaturadas

Linhaça – 0,7 g

Chia – 0,2 g

Gorduras poli-insaturadas

Linhaça – 2,5 g

Chia – 0,6 g

(Os valores se referem a 10 gramas do alimento, o que corresponde a uma colher de sobremesa)

Placar SAÚDE

Chia 3 x 3 Linhaça

Fonte: Tabela Brasileira de Composição de Alimentos da Universidade de São Paulo (TBCA-USP)

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Um olhar para o futuro da nutrição

Ao abrir o último Fórum SAÚDE, realizado no Instituto Tomie Ohtake (SP), Diogo Sponchiato, redator-chefe da revista SAÚDE, sintetizou o objetivo da noite: apresentar e debater as diferentes facetas do nutricionista do futuro. O evento deu voz a profissionais como Cynthia Antonaccio, que, com perfil empreendedor, enxerga diferentes caminhos para a carreira.

“É preciso não sucumbir ao rótulo de que a nutrição é uma profissão apenas técnica e procurar outras capacitações, inclusive em negócios”, disse.

Com sua atuação em restaurantes, health marketing e nutrição comportamental, Cynthia encorajou a busca pela inovação e transformação contínua. “Ninguém nasce empreendedor, mas pode se tornar um”, concluiu.

Já Luciana Rossi, professora da Universidade Anhembi Morumbi (SP), apontou uma mudança de paradigma na nutrição esportiva, cujo foco deixou de ser o fitness e passou a ser o bem-estar. “No Brasil, estamos vendo um número crescente de academias e frequentadores. Por isso, encaramos agora o desafio de qualificar profissionais de nutrição para atuar nesses estabelecimentos.”

Só assim, avalia a professora, será possível conter a tendência ao consumo abusivo de substâncias que já se observa nesses espaços, assim como o aparecimento do fenômeno da dependência de exercício físico.

A audiência ouviu também a nutricionista Bianca Naves destacar a importância de saber se comunicar em tempos de redes sociais. “É preciso mostrar engajamento, dialogar com os seguidores”, destacou. Linguagem apropriada, conteúdo diferente para cada rede, atenção a tendências, pontuou Bianca, são fundamentais para o êxito.

A nutricionista e pesquisadora da Universidade de São Paulo Tatiana Collese falou, por sua vez, sobre a paixão pela ciência, que lhe abriu caminho para conhecer outros países e culturas. Desafiada por experiências como a que viveu ao trabalhar com crianças numa comunidade indígena isolada da Colômbia, a profissional vem criando, em um estudo que engloba diversas universidades, uma metodologia adequada para avaliar o consumo alimentar de crianças sul-americanas. “A carreira científica exige força, garra e persistência. É difícil, mas recompensadora”, declarou.

Para fechar a noite, foram anunciados os vencedores das quatro categorias do Prêmio Herbalife Nutrition, que teve como primeiro colocado geral o trabalho de Nutrição Clínica. A autora, Giovanna Ricciarelli, orientada pela professora Nágila Damasceno, da USP, avaliou o impacto da dieta cetogênica modificada com gorduras poli-insaturadas no controle das crises de epilepsia em jovens. Além do troféu, Giovanna fez jus a uma visita à Universidade da Califórnia (EUA).

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Chega ao Brasil um novo suplemento de ácido fólico para gestantes

Quando uma gravidez se confirma, uma das primeiras medidas indicadas para a mulher é a suplementação de ácido fólico. Esse elemento é primordial à formação do sistema nervoso do bebê.

Mas, de acordo com o ginecologista Nilson Roberto de Melo, professor da Universidade de São Paulo (USP), há um porém: “O ácido fólico precisa passar por três modificações até virar metilfolato, a substância realmente ativa”, diz. “Ocorre que a última transformação não é eficiente em cerca de 50% da população brasileira”, comenta.

De olho nisso, a farmacêutica Abbott trouxe para o nosso país suplementos que já ofertam o tal metilfolato. A desvantagem é que, hoje, eles saem mais caro. Porém, a expectativa é que o aumento da prescrição ajude a baixar o valor.

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Quando tomar?

Segundo Melo, o correto é investir na suplementação de metilfolato ou ácido fólico três meses antes de engravidar. Só que nem sempre dá para seguir essa regrinha — afinal, metade das gestações não acontece de forma planejada.

De qualquer maneira, a recomendação é recorrer às cápsulas com a substância até o fim do primeiro trimestre.

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